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Atualizado em segunda-feira, 26 de setembro de 2011 - 03h03

Captação de órgãos ainda é desafio

Especialistas falam sobre dificuldades para conservação de alguns órgãos; mesmo com desafios, Brasil é um grande transplantador
O coração é um dos órgãos mais sensíveis em relação ao transplante  / Foto: Walter Groesel/Stock.xchng O coração é um dos órgãos mais sensíveis em relação ao transplante Foto: Walter Groesel/Stock.xchng

O Brasil comemora nesta terça-feira o Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos. Um dos grandes desafios enfrentados pelos profissionais é a captação de órgãos e tecidos. Em algumas áreas, a tecnologia já permite maior tempo de conservação, como é o caso da córnea, que apesar de precisar ser retirada em cerca de seis horas, pode ser conservada e durar até 14 dias.

“A conservação da córnea é diferente de outros órgãos, e a captação também é um pouco maior, pois não precisa que o doador tenha tido morte encefálica, pode ser morte com parada geral”, explica o oftalmologista Marco Antonio Alves, ex-diretor técnico do Banco de Olhos do Rio de Janeiro, integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e chefe do Serviço de Córnea do Hospital Federal dos Servidores do Estado.

Alves explica ainda que a córnea “tem um prazo para colher, é variável, mas em média de seis horas. Mas hoje existem meios para preservação. Você preserva, a partir dos bancos de olhos, por sete até no máximo 14 dias, antigamente eram 24 horas”.

Dificuldades

Em outros casos, a captação deve ser mais rápida, como é o caso do coração. “Se comprarmos com outros órgãos, como rim e fígado, o coração é bem mais sensível”, explica o cardiologista Alexandre Sciliano, chefe da Divisão de Procedimentos Cirúrgicos do INC (Instituto Nacional do Coração).

“A captação do coração precisa ser muito rápida. A gente precisa colocar o coração para bater de novo em menos de quatro horas”, completa Sciliano. O pâncreas e o pulmão também devem ser transplantados no mesmo período. Já o fígado resiste cerca de 24 horas e o rim pode durar até 48 horas fora do organismo.

Ainda de acordo com o médico, os profissionais enfrentam algumas dificuldades, como a logística e até mesmo a manutenção e retirada dos órgãos. “Isso às vezes é muito difícil no sistema de saúde. Às vezes o profissional está em uma sala de atendimento cheia, ou muito atarefada. A equipe que está cuidando do potencial doador, de repente, precisa se focar em outro paciente”, afirma o especialista. “Em algumas situações, o cenário não permite que a manutenção dos órgãos seja feita de forma adequada. Por isso a gente perde órgãos ou às vezes têm órgãos de baixa qualidade”, diz ainda.

Destaque

Apesar dessas dificuldades, o Brasil vem se destacando como um dos maiores transplantadores do mundo. O país é destaque em transplantes como o de fígado, rim e córneas, com centros transplantadores de grande qualidade instalados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Brasília.

Segundo o Ministério da Saúde, os bancos de órgãos são responsáveis pela retirada, processamento e conservação dos órgãos e tecidos para o transplante. Em 2000, foram estabelecidas normas de funcionamento e cadastramento. Ainda de acordo com o ministério, cada central de transplante funciona de acordo com a necessidade de conservação e manutenção do órgão ou tecido a ser captado.

A pasta aponta ainda que o Brasil possui hoje um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Com 548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes, o Sistema Nacional de Transplantes está presente em 25 Estados do país, por meio das Centrais Estaduais de Transplantes.

Atualmente o país realiza o transplante de coração, fígado, pulmão, rim e pâncreas, considerados órgãos sólidos; as córneas, que são consideradas tecidos; e a medula, classificada como célula.