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Atualizado em domingo, 13 de novembro de 2011 - 02h51

Transplante multivisceral pode reduzir mortes

Médico brasileiro é referência mundial; transplante de vários órgãos ao mesmo tempo salva quem precisa de novo intestino

A cirurgia que salvou a vida de Renato Consonni, vítima de um tumor no intestino, ainda não é realizada no Brasil. Mas tem como uma das referências o médico brasileiro Rodrigo Vianna. Há 12 anos em Indiana, nos Estados Unidos, Vianna é diretor do Departamento Adulto e Pediátrico de Transplante Intestinal e Multivisceral e professor associado de cirurgia da Universidade de Saúde de Indiana. O maior centro especializado neste tipo de cirurgia do mundo.

Segundo Vianna, a técnica ainda não é realizada no Brasil por uma série de fatores. “Falta de mão de obra, falta de recursos. A cirurgia é bastante complexa, até no pós-operatório”, ressalta. “Cuidar do paciente que passa por esse tipo de tratamento, requer uma dedicação de profissionais em tempo integral durante anos”, acrescenta ainda.

O transplante multivisceral consiste na retirada de todos os órgãos do abdome e a reposição dos mesmos com órgãos transplantados do mesmo doador. “A princípio não é uma cirurgia indicada para cânceres agressivos, no caso de tumores de crescimento lento e benigno. O mais comum é o tumor desmóide, que tem origem no mesentério – vasos do intestino e que pode se alastrar na cavidade abdominal”, explica o especialista.

Pode ser também realizado em casos de tumor neuro-endócrinos. “Parecido com o tumor de pâncreas que atingiu o Steve Jobs [criador da Apple, morto em 5 de outubro deste ano]”, afirmou Vianna.

A técnica – que pode também ser usada em outros tratamentos – vem crescendo no mundo e no centro dirigido pelo brasileiro. “Especificamente para casos de câncer, aqui no nosso centro, já fizemos a cirurgia em aproximadamente 20 pacientes. Esta técnica vem sendo aplicadas para esses casos há cerca de seis anos”, diz.

Apesar de ainda não aplicado no Brasil, o especialista vê esperanças de que esse tipo de transplante chegue aqui. Segundo ele, existe uma mobilização do Ministério da Saúde para que isso aconteça e pode chegar primeiramente em São Paulo.

“O grande problema do Brasil, muito mais que o câncer são os pacientes que perdem o intestino. Quando o paciente perde esse órgão precisa de muitos cuidados, de alimentação na veia, a chamada nutrição parenteral. Esse tipo pode trazer complicações, insuficiência do fígado, infecção etc.”, comenta.

“Hoje em dia, como não tem opção no Brasil, ainda há uma mortalidade muito alta de pacientes que tiraram o intestino”, completa Vianna.