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Atualizado em terça-feira, 13 de março de 2012 - 15h58

Colírios sem prescrição podem piorar doenças

Os brasileiros não vêm colírios como remédios pois todas as fórmulas lubrificam, dando um conforto momentâneo
No verão quatro em cada dez pacientes chegam à consulta usando colírio indicado de forma incorreta / shutterstock / Victor Polyakov No verão quatro em cada dez pacientes chegam à consulta usando colírio indicado de forma incorreta shutterstock / Victor Polyakov

 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta o Brasil como o quinto maior consumidor de medicamentos do mundo e quando o assunto é a saúde dos olhos a situação não é diferente.

 

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, no verão quatro em cada dez pacientes chegam à consulta usando colírio indicado por um amigo ou com base em uma prescrição anterior, mesmo que tenha sido feita para outra pessoa da família.

 

No restante do ano estudos realizados pelo médico mostram que o índice fica em três para cada dez pacientes. “O brasileiro não vê colírio como remédio porque todas as fórmulas lubrificam. Mesmo que causem ardência ao entrar em contato com o olho, acabam melhorando o conforto visual momentaneamente”, afirma.

 

O problema, comenta, é que o alívio é muito rápido e as pessoas acabam exagerando no número de aplicações. Resultado – quanto mais pingam o colírio maior é o desconforto decorrente da concentração e toxidade dos conservantes.

 

O uso indiscriminado e contínuo pode causar graves problemas na visão. Os principais são: catarata e glaucoma (quando a fórmula contém corticoide), ou somente catarata quando é usado um vasoconstritor, indicado para deixar o olho branquinho.

 

Perigo do olho vermelho

Há perigo também de ocorrer o chamado “olho vermelho crônico”, uma resposta à toxidade dos conservantes que causam ressecamento da lágrima e alterações na superfície ocular: inflamação da córnea, aderência da pálpebra ao globo ocular ou espessamento da margem palpebral.

 

O médico afirma que os sintomas de toxicidade incluem sensação de areia nos olhos, ardência, sensibilidade à luz e visão turva. Quando uma irritação ocular melhora no início do tratamento e depois piora, é necessário interromper o medicamento, para verificar se o agravamento está associado ao colírio ou à evolução da doença.

 

Nas pessoas em que os sintomas persistem, significa que a doença progrediu. Neste caso, o oftalmologista diz que substitui o colírio por outro sem conservante ou com conservante virtual que desaparece ao entrar em contato com a superfície ocular, tornando o produto adequado para o uso prolongado.

 

Glaucoma

Queiroz destaca que entre portadores de glaucoma, o desconforto causado pelos conservantes dos colírios provoca 50% das interrupções de tratamento e pode levar à cegueira irreversível. Por isso, é uma doença que precisa de acompanhamento médico semestral ou anual, de acordo com a gravidade.

 

Ele explica que o glaucoma de ângulo aberto, tipo mais comum da doença, tem como principal fator de risco o aumento da pressão interna do olho que lentamente lesa o nervo ocular até a completa cegueira. Os colírios e procedimentos cirúrgicos não restauram a visão, mas são a única forma de interromper a evolução da doença.

 

Queiroz Neto ressalta que a maioria dos portadores de glaucoma tem olho seco. Por isso, independente do colírio utilizado, a dica é tomar cápsula de óleo de linhaça para melhorar a qualidade da lágrima e diminuir o desconforto causado pelos colírios.